DOENÇA HEPÁTICA ESTEATÓTICA ASSOCIADA À DISFUNÇÃO METABÓLICA: DIAGNÓSTICO NÃO INVASIVO E PREVENÇÃO DA PROGRESSÃO PARA FIBROSE
Resumo:
A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) representa um desafio clínico devido à sua elevada frequência e à possibilidade de evolução para fibrose avançada e complicações hepáticas. Este capítulo tem como objetivo analisar os métodos de diagnóstico não invasivo e as estratégias destinadas à prevenção da progressão da fibrose na MASLD. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, fundamentada em estudos e diretrizes recentes sobre estratificação de risco, avaliação hepática e intervenções terapêuticas. As evidências discutidas indicam que a identificação de esteatose, isoladamente, não determina a gravidade da doença, sendo necessário investigar a presença de fibrose. O emprego sequencial do índice FIB-4 e da elastografia hepática contribui para selecionar pacientes que necessitam de avaliação especializada, embora os resultados devam ser interpretados conforme o contexto clínico e as limitações de cada método. A redução sustentada do excesso de peso, a alimentação adequada, a atividade física e o manejo das comorbidades metabólicas constituem componentes centrais do cuidado. Ensaios clínicos com resmetirom e semaglutida demonstraram benefícios histológicos em populações selecionadas com esteato-hepatite e fibrose, sem permitir inferir, a partir desses resultados, redução de mortalidade ou de complicações hepáticas em longo prazo. Conclui-se que a integração entre avaliação não invasiva, estratificação de risco e acompanhamento metabólico individualizado fundamenta o manejo da MASLD, enquanto estudos adicionais são necessários para esclarecer a durabilidade das respostas terapêuticas e sua repercussão clínica.
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