ECLÂMPSIA NA AUSÊNCIA DE HIPERTENSÃO OU PROTEINÚRIA PREVIAMENTE DOCUMENTADAS: DESAFIOS À IDENTIFICAÇÃO PRECOCE E À ESTRATIFICAÇÃO DO RISCO MATERNO
Resumo:
A eclâmpsia constitui uma complicação neurológica grave da gestação e do puerpério, caracterizada pela ocorrência de convulsões não atribuíveis a outra causa O objetivo desse trabalho é analisar os desafios da identificação precoce e da estratificação do risco materno em casos de eclâmpsia sem hipertensão ou proteinúria previamente documentadas. Métodos: Revisão narrativa da literatura, com busca em PubMed/MEDLINE e SciELO e consulta complementar a diretrizes científicas e institucionais. Foram considerados estudos sobre apresentação clínica, sintomas antecedentes, critérios diagnósticos e evolução materna. Resultados e discussão: A literatura descreve crises eclâmpticas em pacientes sem diagnóstico prévio de doença hipertensiva da gestação. Entretanto, ausência de diagnóstico, ausência de registro e ausência comprovada de hipertensão ou proteinúria não são condições equivalentes. Embora cefaleia e alterações visuais possam anteceder a convulsão, os sintomas isolados apresentam capacidade limitada para prever ou afastar a eclâmpsia. A heterogeneidade das definições e o pequeno número de casos em parte dos estudos dificultam a estimativa da frequência dessas apresentações e a construção de modelos de risco aplicáveis à prática clínica. Conclusão: A ausência de hipertensão ou proteinúria previamente documentadas não exclui a possibilidade de eclâmpsia. A avaliação deve considerar a evolução dos sintomas e dos achados clínicos durante a gestação, o parto e o puerpério. Estudos com registros longitudinais e definições uniformes são necessários para aprimorar a identificação do risco materno.
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