CONSUMO DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS NA INFÂNCIA: PANORAMA, DETERMINANTES E IMPLICAÇÕES
Resumo:
Este capítulo, elaborado como revisão narrativa crítica com avaliação da qualidade das evidências, descreve o consumo de alimentos ultraprocessados na infância, seus determinantes e implicações. A partir da classificação NOVA, define esses produtos como formulações industriais densas em energia e ricas em açúcares, gorduras e sódio, porém pobres em fibras e micronutrientes. As evidências mostram que os ultraprocessados ocupam parcela expressiva da dieta infantil, com presença marcante já nos primeiros anos de vida, tanto em âmbito global quanto no Brasil. Seu consumo associa-se a pior qualidade nutricional e a maior risco de obesidade e de outros desfechos adversos, como alterações no perfil lipídico e cárie dentária, ainda que boa parte dessas evidências seja observacional, indicando associação e não causalidade direta. O consumo é impulsionado por determinantes que extrapolam as escolhas familiares, com destaque para o marketing dirigido a crianças e para um ambiente alimentar que facilita o acesso a esses produtos. Conclui-se que o elevado consumo de ultraprocessados na infância constitui importante problema de saúde pública, sendo prioritária a promoção de uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados.
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